As Diferentes Técnicas de Meditação

Existem muitas técnicas de meditação que você pode usar para sua prática. Elas vão das mais clássicas, sentadas de olhos fechados, até aquelas que envolvem dança ou fazer tarefas do seu dia a dia.


Conhecer várias técnicas é importante para você saber qual é a melhor para você. Isso vai te ajudar a começar a meditar com mais gosto. E se você já medita, é legal conhecer outras técnicas que podem ajudar no seu caminho.


Diferentes técnicas de meditação já foram documentadas praticamente em todas as civilizações, hoje em dia você pode encontrar na Igreja Católica, em templos Budistas, nos terreiros, dentro de empresas, em espaços públicos, escolas e até no seu celular.


Para começar a falar das técnicas vou primeiro definir O que é Meditação.



O que é Meditação


Honestamente, vale fazer um post só sobre essa definição, afinal cada escola vai falar uma coisa diferente, mesmo assim eu vou tentar ser bem objetivo aqui e depois a gente volta nesse assunto.


Meditação em si, pode ser considerado como o estado que chegamos com a prática meditativa, portanto definir esse estado não é o ideal porque a experiência é muito pessoal e subjetiva. Tem gente que relata se sentir no vazio e tem outras que relatam se sentir parte do todo… complicado, mas quem já alcançou esse estado alguma vez sabe do que eu to falando. Por isso vou focar aqui na prática meditativa e não no estado.


Então, para usar a definição da academia, a prática meditativa pode ser uma prática de “atenção focada”, que pode ser num objeto, imagem, respiração ou num som, como um mantra por exemplo. O outro tipo é uma prática de “monitoramento aberto”, onde você só observa o que está acontecendo ao seu redor sem reagir ou julgar.


Agora já sabemos o que é meditação, vamos para as técnicas.


Como existem centenas de técnicas para mostrar aqui, eu vou usar a classificação que o médico e professor de meditação da UNIFESP, Roberto Cardoso, fez e ele dividiu em 4 grupos: Ativas Catárticas; Ativas de Movimento; Passivas Concentrativas e Passivas Perceptivas.


Os nomes parecem ser muito difíceis mas eu prometo que vai ser fácil de entender.



TÉCNICAS


Meditações Ativas Catárticas


As meditações de catarse ocorrem após a liberação de emoções reprimidas através de determinado exercício físico, emocional ou mental, onde o meditador vai se entregar a exaustão e observar seu corpo, sentimentos e pensamentos após intensos estímulos. O Osho é uma das figuras mais reconhecidas por usar essas técnicas (video).


Na modalidade física o exercício físico é feito até a total exaustão, por exemplo correr, dançar ou pular e depois as pessoas se deitam no chão e se observam em total entrega e contemplação. Na modalidade emocional se repete uma reação ligada a uma emoção intensa, como o choro ou riso. Inicialmente essa reação é forçada mas com o tempo ela fica espontânea até chegar ao ápice e parar (isso dura de 15 a 30 minutos).


Na modalidade mental o meditador é exposto a muitos estímulos mentais intensos, como uma música instrumental acelerada num volume muito alto, imagens rápidas de cores intensas e ela pode ser colocada a gritar palavras desconexas sem nenhum significado. Depois de tudo isso entra o silêncio e a contemplação do que vem junto com ele.


- Meditação Dinâmica do Osho – Muita Catarse!



Meditações Ativas de Movimento


A meditação de movimento mais tradicional que vem na nossa cabeça é a devocional feita pelos sufis rezando (video). Ela sintetiza bem a ideia por trás da repetição de um movimento devocional, pois é um movimento que exige muitas repetições com seu foco em Allah, a representação do divino. Em outras formas, esses movimentos também existem nas giras de umbanda ou do candomblé, nas preces em missas católicas e em muitas outras tradições religiosas.


Quando a meditação é feita com movimentos programados ela não necessariamente envolve a devoção a alguma divindade. O movimento já é conhecido e assim ele é repetido de maneira tranquila e com total atenção. Um exemplo é a caminhada meditativa praticada por monges como o Thich Nhat Hanh.


Já a modalidade de movimento espontânea para mim é uma das mais lindas porque traz toda a expressão do corpo, emoção e espírito para dentro da prática. É nessa técnica que o corpo pode se expressar livremente sem julgar, sem pensar, ele segue os movimentos numa dança livre e a mente apenas observa.


- Práticas Sufi de Meditação em Movimento



Meditações Passivas Concentrativas


Esse grupo junta as técnicas que são mais conhecidas pelo público, como o Mindfulness. Elas envolvem um foco muito bem definido (uma âncora) e nosso corpo se mantém preferencialmente em repouso, sentado para não dormir. Essa âncora (foco) pode ser em uma figura religiosa no caso das devocionais, como Jesus, Buddha, um Orixá ou um anjo. A âncora pode ser também sons, como os conhecidos mantras, som de um sino ou uma música instrumental lenta, assim como no caso da meditação transcendental.


Na técnica de fixação são usadas mandalas, ponto fixo na parede ou a chama de uma vela por exemplo. É importante que esse ponto mantenha a movimentação ao mínimo possível, como a própria chama da vela. Outra âncora que pode ser usada é a de visualização, por exemplo imaginar uma mandala se abrindo e fechando junto com a respiração ou as ondas do mar. Nesses casos é importante manter a repetição também na visualização se não o foco se perde.


As âncoras chamadas de naturais, usadas para manter o foco, são observações do nosso meio, como por exemplo a nossa respiração, o movimento do nosso abdômen quando respiramos, ver o vento balançando as árvores, observar a água passando no rio ou escutar as batidas do seu coração.


- Meditação com a âncora no Mantra – Kirtan por Krishna Das



Meditações Passivas Perceptivas


As técnicas de percepção passiva são aquelas que apenas observamos nosso corpo, nossos pensamentos, sem tentar alterar nada e sem nenhum julgamento. Seria como se fosse um observador externo a você mesmo. Ela é muito usada após uma catarse por exemplo, ou após períodos de alta concentração, onde apenas se testemunha tudo em você naquele momento.



Como você pode ver existem vários meios de se meditar e cada um pode encaixar melhor dentro dos seus gostos e da sua rotina.


O que eu recomendo para você…. escolhe uma técnica e pratique e todo dia. Se você ficar sempre mudando a sua prática diária você não vai ter uma boa evolução e os benefícios vão ficar um pouco superficiais.

Eu fui ver uma palestra da Monja Coen e ela disse que no budismo um monge nunca para de meditar, pois a atenção focada, a contemplação e a escuta ativa, devem ser constantes. Fica essa ideia aqui para reflexão.



Vale uma menção especial aqui para a Yoga como meditação. Eu vou fazer um post depois só sobre Yoga e meditação, porque vale muito a pena e tem muita coisa pra falar. Ela não foi mencionada nas categorias anteriores porque cada estilo de Yoga pode se encaixar em um ou mais grupos, como o Hot Yoga com a catarse, o Ashtanga com o movimento ativo, o Hatha na meditação passiva… enfim, diferentes, porém todos com o foco na meditação.



Espero que eu tenha te ajudado a navegar nesse mar de opções de meditação e espero te ver aqui na próxima.


Fique em paz e boa meditação.



Escrito por Lauro Pellizari Nieblas

Prof de Yoga e Terapeuta - Sama Terapias








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Post retirado do nosso blog secundário Afinando a Mente


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